domingo, 11 de julho de 2010

Pra que discutir?

Eu acho que o modo como nós discutimos podia ser melhor na maioria das vezes. 
Melhor como? Mais "produtivo".

Normalmente uma discussão funciona como se fosse uma guerra. Antes mesmo de começar a guerra, você já tem certeza que todos que estiverem do outro lado, são inimigos. Você discute tentando encontrar uma falha nos argumentos do seu inimigo pra poder contra-atacar. A gente não tem muito o costume de ser flexível numa discussão. Você já entra numa discussão tendo certeza da sua opinião e de que, quando a discussão terminar, a sua opinião vai estar praticamente intacta. Talvez devêssemos ser mais flexíveis, mais tolerantes e ter a mente mais aberta em relação aos pontos de vista diferentes do nosso.
Como numa guerra de novo, o objetivo de quem participa é sair como "vencedor". Eu acredito que o verdadeiro vencedor não tem que ser uma pessoa, mas a verdade. E como em quase nenhum caso é possível chegar a uma verdade absoluta, a flexibilidade e a tolerância se fazem mais necessárias ainda.
Quando uma pessoa "ganha" uma discussão, isso não significa que a verdade está do seu lado. Ela pode estar baseando seus argumentos em falácias, pode aparentar estar certa, mas não estar. Num tribunal, por exemplo, uma pessoa pode ser condenada injustamente ou um "bom" advogado pode conseguir livrar uma pessoa culpada da cadeia. Será que o modo como o sistema judiciário funciona hoje é suficientemente justo? Será que nós não conseguiríamos pensar num outro sistema mais justo? [Mas isso é assunto pra um outro texto inteiro...]
Acho que uma discussão é mais produtiva quando as posições de quem participa não está tão definida, quando as pessoas se dão a oportunidade de se aproximar da maneira pela qual o outro pensa para tentar entendê-lo melhor. Normalmente as pessoas não tentam compreender o outro ou, se tentam, fazem apenas com o objetivo de encontrar uma contradição nas idéias do outro.
A discussão tem que funcionar menos como um ambiente de confronto e batalha e mais de interação, de um processo coletivo de se alcançar as várias verdades possíveis. Se em vez de apenas se confrontar, duas pessoas trabalharem juntas para chegar a alguma conclusão, elas vão ter muito mais chance de se aproximar da verdade. Até porque é impossível que uma pessoa esteja 100% certa e a outra 100% errada, então, através da cooperação, as pessoas podem aproveitar as partes positivas de cada uma. É essencial que aprendamos a lidar com o diferente de maneira realmente tolerante. Não a tolerância do "eu respeito, ele lá e eu cá", mas um respeito verdadeiro, onde haja aprendizado dos dois lados.
Não podemos esquecer que não existe uma verdade absoluta, então devemos estar sempre revendo nossos conceitos porque ainda que eles sejam consistentes, não vão servir para qualquer situação. Além disso, se você tem uma opinião muito cristalizada sobre um assunto, você pode acabar se desviando dos seus objetivos e mirar nas suas convicções, se esquecendo das suas intenções iniciais. [Mas isso fica pra outro dia...]

terça-feira, 6 de julho de 2010

Só pra começar

Eu preciso deixar bem claro: não tenho nenhuma pretensão de escrever nada incontestável aqui. Eu vou escrever muito do que eu acho e quase nada do que eu sei, inclusive porque eu realmente não sei quase nada, mas acho muita coisa.
Já tive outros blogs a um tempo atrás, mas não consegui ficar com nenhum por muito tempo. Talvez porque eu fosse mais novo e estivesse mais preocupado com o que as pessoas queriam ler do que com o que eu estava afim de escrever. Nesse ponto, talvez esse dure um pouco mais, a minha intenção é ter um lugar pra jogar as idéias sem muita preocupação em despertar interesse. De repente, por isso mesmo, se eu escrever sobre o que estiver afim de escrever, de um jeito mais natural, deixando fluir, talvez soe mais interessante.
É ruim ter idéias e ficar por isso mesmo. Tendo escrito aqui no blog, eu posso voltar nas idéias que eu já tive, repensar e corrigir alguma coisa, se for o caso. E ainda por cima dar a oportunidade a quem se interessar [se surgir algum] de ler. É claro que, se as pessoas lerem, vai haver discordância e isso é ótimo! Que haja! E que isso, de algum jeito aja de uma maneira positiva na cabeça das pessoas [e na minha, claro].

Acho que é isso.